Sinopse:
O livro conta uma história sobre as linhas de tempo, e como
uma simples mudança no campo energético pode afetar o convívio dos seres que as
habitam.
Capítulo I
Arthur acordou em sua cama, como de costume atrasado, para
mais um dia de trabalho. Ele trabalha com papeis, algo com sistemas e dados,
não dá pra ver direito daqui. E também não perguntei. Não queria falar de
trabalho logo pela manhã.
Como que por intuição, Arthur pressentiu que algo estranho
estava acontecendo, mas não entendia esse sentimento. Quando olhou seu relógio
antes de sair de casa, percebeu que este havia parado de funcionar, marcando o
horário de 07h07. Achou estranho, mas relógios param, não é mesmo?
Arthur ia a pé para o trabalho. O escritório ficava em um
prédio a alguns quarteirões dali. E enquanto caminhava, surgiam flashes em sua
mente. De repente via o que para seriam naves sobrevoando sua cabeça, e outras
vezes eram vales e montanhas surgirem no horizonte. Ele pensou não ter dormido
direito, e ignorou qualquer coisa que passava em sua mente.
Capítulo II
JB-734 estava preparando seu café da manhã. Ele adorava o
nascer do Sol e as cores que se formavam no céu. JB vivia em um tempo diferente
de Arthur, digamos assim. Em seu calendário, JB marcava o ano de 3.218. Um
futuro para você que lê, ou talvez não. Dá sacada de seu apartamento, JB
admirava a bela paisagem de luzes e natureza que se formava ao redor dos
prédios de seu bairro, quando, assim como Arthur, percebeu flashes em sua mente,
de locais diferentes como se existissem ali. Não era algo comum, e correu para
o laboratório ver se mais alguém havia presenciado o mesmo.
Capítulo III
William, por algum motivo, estava se sentindo ótimo naquele
dia. Acordou com cantos de pássaros em sua janela. Logo que levantou, foi
recebido pelo sorriso de sua rainha, que percebeu o bom humor raríssimo do
marido, visto somente em datas especiais.
Dá janela de seus aposentos, pode visualizar a tranquilidade
do reino.
Assim como JB e Arthur, o rei viu como se formando em sua
mente, lugares com muitas luzes e barulhos ensurdecedores. Achou que estivesse
ficando louco, mas não quis comentar com ninguém.
Capitulo IV
Ao chegar ao laboratório, JB foi recebido pelo olhar
assustado de HR-101, seu companheiro de trabalho. HR disse que havia algo muito
estranho acontecendo, e que precisava se reunir com os outros cientistas para
descobrirem o que eram aquelas visões. Seriam memórias? Se sim, memórias de
quem? De quando? Ou era só imaginação. JB não era tão criativo e HR menos
ainda, a ponto de imaginar vales e montanhas.
Capitulo V
O elevador parecia o mesmo de sempre, mas o corredor que o
levava para sua sala estava com cores estranhas, como se a parede se movesse.
Arthur cogitou estar ficando louco, mas a resposta viria logo a seguir.
Ao abrir a porta de seu escritório, deparou-se com uma sala
enorme. Pensou “OK, essa não é minha sala”. Conferiu o número de sala na porta,
e era sim a dele. Antes que pudesse se mexer, ouviu uma voz vindo do interior
da sala dizendo “Arthur, seja bem vindo. Por favor entre”. Sem entender nada,
Arthur a passos calculados passou a
entrar na sala e percebeu que ela havia se tornado infinita. Não sabia como
estava vendo aquilo. Mas a sala era de um uníssono branco sem fim. Paredes,
teto, e chão eram dos brancos mais claros e reluzentes que já havia visto. Ao
entrar na sala, percebeu um senhor caminhar em sua direção. Era um senhor de
aparência simpática, vestia uma túnica azul escuro, e detinha uma grande barba.
Apesar das vestimentas nada convencionais, o senhor transmitia um ar de bondade
e muita alegria ao encontrar Arthur.
Ao se aproximar, diz: “Como estás Arthur? Deixe me
apresentar, novamente – um sincero e sutil sorriso marcava os cantos dos lábios
e seus olhos – meu nome é Merlin. Já começaremos nosso encontro. Peço que
aguarde um instante. Seus irmãos deve estar chegando”.
Arthur o ouviu sem emitir uma palavra. Em sua cabeça
borbulhava: “Se apresentar novamente? Estou certo de que não conheço este
homem. Irmãos? Ele só pode estar brincando”.
Capitulo VI
Willian sentiu uma repentina vontade de ir à capela. Nunca
havia sentido essa vontade antes. Não era dos mais religiosos.
Ao chegar à capela, percebeu que estava acontecendo à missa
da manhã, e ao aproximar da porta da capela, viu uma luz branca vindo do chão,
e a luz refletia o teto e as paredes. Percebeu que já não estava mais na
capela. Ou será que estava?
Capitulo VII
JB foi chamado para a sala de conferências e quando chegou já
estavam presentes todos os cientistas do laboratório. O presidente estava à
frente da sala e começava sua explanação, que deixaria todos surpresos.
Ao aproximar-se, JB passou a visualizar aos poucos o que ia
se materializando a sua frente: duas pessoas, uma vestia um traje comum para
alguns séculos atrás, poderia ser um executivo ou empresário, mas o outro se
vestia como num livro de contos da Terra Média. Ele não acreditava no que
estava vendo. Ao seu lado, HR repetia para si mesmo como em um mantra “isso não
é real, isso não e real...”.
O presidente então começou a falar: “Antes de iniciarmos, JB,
peço que se aproxime. Fique aqui na frente ao lado desses dois rapazes”.
JB prontamente obedeceu, e ao olhar para os dois ao seu lado,
percebeu uma conexão como se conhecessem - “mais isso seria impossível”,
pensava.
Capítulo VIII
Ao passo que caminhava para o interior daquela estranha sala
branca, Willian viu surgir logo a frente três homens: o da esquerda e o da
direita eram relativamente parecidos. Estranhamente parecidos, mas o do meio,
que vinha a seu encontro era diferente, e ao se aproximar, reconheceu seu velho
amigo, deu um grande sorriso ao exclamar: Merlin!
Capitulo IX
“Agora que estávamos todos aqui, podemos começar”, disse
Merlin a todos os presentes.
“Hoje foi um dia atípico para todos deste lindo planeta.
Acontece que tivemos uma belíssima explosão da Supernova de Galileu, localizada
na Constelação de Órion. Essa explosão espalhou luz, gás e muita energia para
todos os cantos da Via Láctea, principalmente para nosso braço de Órion. A
energia que trafega pelo cosmo não carrega somente eletromagnetismo, mas sim
todas as propriedades da existência, como gravidade. Esse campo gravitacional
consegue distorcer as linhas de tempo, que faz com que elas se toquem, assim,
trocando informações. É o que acontece aqui, agora”.
Neste momento, os três trocam olhares ente si. Sabiam que se
conheciam. JB se dirige a Merlin: “Mas como assim, linhas de tempo?” Ao que
este responde: “Quando nós escolhemos algo, determinamos qual experiência viveremos
e assim, também decidimos qual não viveremos. Tudo isso acontece ao mesmo
tempo. Não existe antes ou depois, é ao mesmo tempo”.
Arthur, que até este momento mantinha-se boquiaberta, começou
a compreender tudo o que acontecia ali, e questiona o palestrante: “Isso está
mesmo acontecendo ou estou sonhando?”, e Merlin responde: “Sim, está
acontecendo, mas não da maneira que estão acostumados. Aqui estamos em
dimensões mais elevadas da realidade. Aqui a matéria é mais flexível, menos
densa, e por isso é mais fácil a troca de informações. A partir das escolhamos
que tomamos, afetamos a nossa linha de tempo, o nosso presente, passado e
futuro. Essa linha de tempo é informação e também energia. Essa energia mantém
suas propriedades, e se relacionam, trocando informações. Elas costumam se
cruzar, e quando isso acontece, convencionou-se chamar isso de deja-vu, mas o
que estamos experimentando aqui é mais que isso. O deja-vu explica
coincidência, sincronicidades, de uma própria linha do tempo. A explosão da Supernova
afetou de tal maneira as linhas de tempo, que fez vocês se encontrarem, seres de
diversos locais do espaço tempo da Terra, William mais no passado, JB mais no
futuro, e Arthur que digamos um tempo presente nesta linear que estamos
atravessando aqui. Porém, entendam: no universo não existe tempo. Este é um
conceito inventando pela humanidade para facilitar o entendimento e o ensino da
ciência no planeta, afim de facilitar o desenvolvimento tecnológico. Assim,
vocês não estão vivendo no passado ou no futuro em relação ao outro, vocês
estão vivendo ao mesmo tempo, porque só existe o presente, o aqui, agora”.
Espantado por tudo que ouviu, e ainda sem entender como tudo
aqui estava acontecendo, Willian questiona o mestre: “E quando voltarmos para
nossa realidade, vamos lembrar tudo isso?”
“É uma ótima pergunta, Willian. Vocês estão aqui através da
dobra na linha do tempo. Imagine sua linha do tempo de maneira linear, com
passado, presente e futuro. Agora imagine que estamos no presente, e desta
parte da linha surge uma paralela que toma direção para cima, formando um loop
que retornará a sua linha do tempo comum. Neste momento estamos compartilhando
este loop. Muito provável que não se lembrarão desta conversa, pois as
informações trocadas nesta dimensão são muito sutis em relação a natureza de
seus corpos físicos. Porém, saberão, em algum lugar da memória, como em um
sonho, que tudo isso aconteceu. Sincronicidades são maneiras de demonstrarmos a
vocês, seres no mundo físico, tudo que acontece aqui, nestas dimensões. Talvez
quando adormeçam, ou em momento de distração e relaxamento, se lembrarão desta
conversa, ou de muitos outros encontros que já tivemos e que ainda teremos”.
Capitulo X
William foi percebendo a voz de Merlin ficando distante, e o
branco da sala dando lugar a sua conhecida capela, e ao piscar os olhos,
percebeu estar em pé em frente à porta, com todos o olhando.
Capitulo XI
Arthur achou tudo aquilo muito estranho e decidiu que iria
parar com as bebidas. Também voltaria a praticar atividades físicas. Uma
peculiar vontade de assistir Senhor dos Anéis surgiu em seu coração.
Capitulo XII
Ao perceber que os dois homens havia desaparecidos de seu
lado, JB dirigiu-se Merlin: “Mestre, os dois tinham alguma conexão comigo?” ao
que este lhe responde: “Sim JB. Eles são partes de sua consciência que existem
em diferentes linhas de tempo. Você pode ter acesso a eles em seus sonhos, ou
suas meditações. No corpo físico parece que estamos separados um dos outros,
mas a verdade é que fazemos parte de uma grande e infinita consciência”.
Pensativo e eufórico, JB pergunta “E se os dois tinham
conexão comigo, como HR e os outros também conseguiam enxergá-los?”
“Os dois não tinham conexão somente com você. Com o passar do
tempo, nosso planeta foi deixando a densidade de lado e tomando o sentimento de
amor e harmonia para si. Assim, todos aqui perceberam que também fazem parte de
vocês. Todos nós fazemos parte desta infinita consciência”.
Por Guilherme D. Dutra

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