terça-feira, 14 de janeiro de 2020

A Supernova de Galileu



Sinopse:                                  
O livro conta uma história sobre as linhas de tempo, e como uma simples mudança no campo energético pode afetar o convívio dos seres que as habitam.

Capítulo I
Arthur acordou em sua cama, como de costume atrasado, para mais um dia de trabalho. Ele trabalha com papeis, algo com sistemas e dados, não dá pra ver direito daqui. E também não perguntei. Não queria falar de trabalho logo pela manhã.
Como que por intuição, Arthur pressentiu que algo estranho estava acontecendo, mas não entendia esse sentimento. Quando olhou seu relógio antes de sair de casa, percebeu que este havia parado de funcionar, marcando o horário de 07h07. Achou estranho, mas relógios param, não é mesmo?
Arthur ia a pé para o trabalho. O escritório ficava em um prédio a alguns quarteirões dali. E enquanto caminhava, surgiam flashes em sua mente. De repente via o que para seriam naves sobrevoando sua cabeça, e outras vezes eram vales e montanhas surgirem no horizonte. Ele pensou não ter dormido direito, e ignorou qualquer coisa que passava em sua mente.

Capítulo II
JB-734 estava preparando seu café da manhã. Ele adorava o nascer do Sol e as cores que se formavam no céu. JB vivia em um tempo diferente de Arthur, digamos assim. Em seu calendário, JB marcava o ano de 3.218. Um futuro para você que lê, ou talvez não. Dá sacada de seu apartamento, JB admirava a bela paisagem de luzes e natureza que se formava ao redor dos prédios de seu bairro, quando, assim como Arthur, percebeu flashes em sua mente, de locais diferentes como se existissem ali. Não era algo comum, e correu para o laboratório ver se mais alguém havia presenciado o mesmo.

Capítulo III
William, por algum motivo, estava se sentindo ótimo naquele dia. Acordou com cantos de pássaros em sua janela. Logo que levantou, foi recebido pelo sorriso de sua rainha, que percebeu o bom humor raríssimo do marido, visto somente em datas especiais.
Dá janela de seus aposentos, pode visualizar a tranquilidade do reino.
Assim como JB e Arthur, o rei viu como se formando em sua mente, lugares com muitas luzes e barulhos ensurdecedores. Achou que estivesse ficando louco, mas não quis comentar com ninguém.

Capitulo IV
Ao chegar ao laboratório, JB foi recebido pelo olhar assustado de HR-101, seu companheiro de trabalho. HR disse que havia algo muito estranho acontecendo, e que precisava se reunir com os outros cientistas para descobrirem o que eram aquelas visões. Seriam memórias? Se sim, memórias de quem? De quando? Ou era só imaginação. JB não era tão criativo e HR menos ainda, a ponto de imaginar vales e montanhas.

Capitulo V
O elevador parecia o mesmo de sempre, mas o corredor que o levava para sua sala estava com cores estranhas, como se a parede se movesse. Arthur cogitou estar ficando louco, mas a resposta viria logo a seguir.
Ao abrir a porta de seu escritório, deparou-se com uma sala enorme. Pensou “OK, essa não é minha sala”. Conferiu o número de sala na porta, e era sim a dele. Antes que pudesse se mexer, ouviu uma voz vindo do interior da sala dizendo “Arthur, seja bem vindo. Por favor entre”. Sem entender nada, Arthur a passos calculados passou  a entrar na sala e percebeu que ela havia se tornado infinita. Não sabia como estava vendo aquilo. Mas a sala era de um uníssono branco sem fim. Paredes, teto, e chão eram dos brancos mais claros e reluzentes que já havia visto. Ao entrar na sala, percebeu um senhor caminhar em sua direção. Era um senhor de aparência simpática, vestia uma túnica azul escuro, e detinha uma grande barba. Apesar das vestimentas nada convencionais, o senhor transmitia um ar de bondade e muita alegria ao encontrar Arthur.
Ao se aproximar, diz: “Como estás Arthur? Deixe me apresentar, novamente – um sincero e sutil sorriso marcava os cantos dos lábios e seus olhos – meu nome é Merlin. Já começaremos nosso encontro. Peço que aguarde um instante. Seus irmãos deve estar chegando”.
Arthur o ouviu sem emitir uma palavra. Em sua cabeça borbulhava: “Se apresentar novamente? Estou certo de que não conheço este homem. Irmãos? Ele só pode estar brincando”.

Capitulo VI
Willian sentiu uma repentina vontade de ir à capela. Nunca havia sentido essa vontade antes. Não era dos mais religiosos.
Ao chegar à capela, percebeu que estava acontecendo à missa da manhã, e ao aproximar da porta da capela, viu uma luz branca vindo do chão, e a luz refletia o teto e as paredes. Percebeu que já não estava mais na capela. Ou será que estava?

Capitulo VII
JB foi chamado para a sala de conferências e quando chegou já estavam presentes todos os cientistas do laboratório. O presidente estava à frente da sala e começava sua explanação, que deixaria todos surpresos.
Ao aproximar-se, JB passou a visualizar aos poucos o que ia se materializando a sua frente: duas pessoas, uma vestia um traje comum para alguns séculos atrás, poderia ser um executivo ou empresário, mas o outro se vestia como num livro de contos da Terra Média. Ele não acreditava no que estava vendo. Ao seu lado, HR repetia para si mesmo como em um mantra “isso não é real, isso não e real...”.
O presidente então começou a falar: “Antes de iniciarmos, JB, peço que se aproxime. Fique aqui na frente ao lado desses dois rapazes”.
JB prontamente obedeceu, e ao olhar para os dois ao seu lado, percebeu uma conexão como se conhecessem - “mais isso seria impossível”, pensava.

Capítulo VIII
Ao passo que caminhava para o interior daquela estranha sala branca, Willian viu surgir logo a frente três homens: o da esquerda e o da direita eram relativamente parecidos. Estranhamente parecidos, mas o do meio, que vinha a seu encontro era diferente, e ao se aproximar, reconheceu seu velho amigo, deu um grande sorriso ao exclamar: Merlin!

Capitulo IX
“Agora que estávamos todos aqui, podemos começar”, disse Merlin a todos os presentes.
“Hoje foi um dia atípico para todos deste lindo planeta. Acontece que tivemos uma belíssima explosão da Supernova de Galileu, localizada na Constelação de Órion. Essa explosão espalhou luz, gás e muita energia para todos os cantos da Via Láctea, principalmente para nosso braço de Órion. A energia que trafega pelo cosmo não carrega somente eletromagnetismo, mas sim todas as propriedades da existência, como gravidade. Esse campo gravitacional consegue distorcer as linhas de tempo, que faz com que elas se toquem, assim, trocando informações. É o que acontece aqui, agora”.
Neste momento, os três trocam olhares ente si. Sabiam que se conheciam. JB se dirige a Merlin: “Mas como assim, linhas de tempo?” Ao que este responde: “Quando nós escolhemos algo, determinamos qual experiência viveremos e assim, também decidimos qual não viveremos. Tudo isso acontece ao mesmo tempo. Não existe antes ou depois, é ao mesmo tempo”.
Arthur, que até este momento mantinha-se boquiaberta, começou a compreender tudo o que acontecia ali, e questiona o palestrante: “Isso está mesmo acontecendo ou estou sonhando?”, e Merlin responde: “Sim, está acontecendo, mas não da maneira que estão acostumados. Aqui estamos em dimensões mais elevadas da realidade. Aqui a matéria é mais flexível, menos densa, e por isso é mais fácil a troca de informações. A partir das escolhamos que tomamos, afetamos a nossa linha de tempo, o nosso presente, passado e futuro. Essa linha de tempo é informação e também energia. Essa energia mantém suas propriedades, e se relacionam, trocando informações. Elas costumam se cruzar, e quando isso acontece, convencionou-se chamar isso de deja-vu, mas o que estamos experimentando aqui é mais que isso. O deja-vu explica coincidência, sincronicidades, de uma própria linha do tempo. A explosão da Supernova afetou de tal maneira as linhas de tempo, que fez vocês se encontrarem, seres de diversos locais do espaço tempo da Terra, William mais no passado, JB mais no futuro, e Arthur que digamos um tempo presente nesta linear que estamos atravessando aqui. Porém, entendam: no universo não existe tempo. Este é um conceito inventando pela humanidade para facilitar o entendimento e o ensino da ciência no planeta, afim de facilitar o desenvolvimento tecnológico. Assim, vocês não estão vivendo no passado ou no futuro em relação ao outro, vocês estão vivendo ao mesmo tempo, porque só existe o presente, o aqui, agora”.
Espantado por tudo que ouviu, e ainda sem entender como tudo aqui estava acontecendo, Willian questiona o mestre: “E quando voltarmos para nossa realidade, vamos lembrar tudo isso?”
“É uma ótima pergunta, Willian. Vocês estão aqui através da dobra na linha do tempo. Imagine sua linha do tempo de maneira linear, com passado, presente e futuro. Agora imagine que estamos no presente, e desta parte da linha surge uma paralela que toma direção para cima, formando um loop que retornará a sua linha do tempo comum. Neste momento estamos compartilhando este loop. Muito provável que não se lembrarão desta conversa, pois as informações trocadas nesta dimensão são muito sutis em relação a natureza de seus corpos físicos. Porém, saberão, em algum lugar da memória, como em um sonho, que tudo isso aconteceu. Sincronicidades são maneiras de demonstrarmos a vocês, seres no mundo físico, tudo que acontece aqui, nestas dimensões. Talvez quando adormeçam, ou em momento de distração e relaxamento, se lembrarão desta conversa, ou de muitos outros encontros que já tivemos e que ainda teremos”.

Capitulo X
William foi percebendo a voz de Merlin ficando distante, e o branco da sala dando lugar a sua conhecida capela, e ao piscar os olhos, percebeu estar em pé em frente à porta, com todos o olhando.

Capitulo XI
Arthur achou tudo aquilo muito estranho e decidiu que iria parar com as bebidas. Também voltaria a praticar atividades físicas. Uma peculiar vontade de assistir Senhor dos Anéis surgiu em seu coração.

Capitulo XII
Ao perceber que os dois homens havia desaparecidos de seu lado, JB dirigiu-se Merlin: “Mestre, os dois tinham alguma conexão comigo?” ao que este lhe responde: “Sim JB. Eles são partes de sua consciência que existem em diferentes linhas de tempo. Você pode ter acesso a eles em seus sonhos, ou suas meditações. No corpo físico parece que estamos separados um dos outros, mas a verdade é que fazemos parte de uma grande e infinita consciência”.
Pensativo e eufórico, JB pergunta “E se os dois tinham conexão comigo, como HR e os outros também conseguiam enxergá-los?”
“Os dois não tinham conexão somente com você. Com o passar do tempo, nosso planeta foi deixando a densidade de lado e tomando o sentimento de amor e harmonia para si. Assim, todos aqui perceberam que também fazem parte de vocês. Todos nós fazemos parte desta infinita consciência”.

Por Guilherme D. Dutra

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